Eleições 2026 · 1º turno · Cidade de São Paulo

Como votaram as favelas de São Paulo

Cruzamos o resultado de cada urna do TSE com o mapa das 1.359 favelas e comunidades urbanas da capital, delimitadas pelo IBGE no Censo 2022. Para presidente, Lula venceu com folga nas favelas, com vantagem bem maior que no restante da cidade. Para governador, Fernando Haddad ficou à frente nos locais de favela, enquanto a cidade como um todo preferiu Tarcísio, reeleito no 1º turno.

Percentuais de votos válidos nos locais de votação em que a maioria estimada dos eleitores mora em favela; o voto é secreto e a urna não registra endereço, por isso o resultado é uma estimativa geográfica (veja como calculamos). Lula e Flávio Bolsonaro disputam o 2º turno em 25 de outubro; Tarcísio foi reeleito no 1º turno.

Favelas × cidade inteira

Em São Paulo, o voto das favelas se afasta claramente do restante da cidade. Nos locais de votação onde a maioria dos eleitores mora em favela, Lula tem 56,5%, contra 46,1% no restante da cidade (os demais locais de votação). Haddad, que perdeu na cidade, vence nesses locais (56,5% × 42,5%), enquanto no restante da cidade Tarcísio leva 53,3%.

Presidente

Governador

Comparecimento

Depende de onde f‌ica a favela

Lula vence nos locais de favela de todas as regiões que têm locais desse tipo, inclusive na Zona Norte, onde Flávio Bolsonaro ganha no restante da região. Para governador, Haddad vence nas favelas da Zona Oeste, da Zona Sul, da Zona Norte e da Zona Leste, regiões em que Tarcísio vence no restante da região. No Centro há poucas favelas (cerca de 1.500 eleitores estimados) e nenhum local com maioria de eleitores de favela, por isso fica sem comparação. Na Zona Oeste, poucos locais entram no recorte principal, e o resultado é menos confiável. Em cada região, a barra "Restante" reúne os demais locais da região.

Quem vota nos locais de favela

Perfil do eleitorado

Cadastro de eleitores do TSE (perfil por seção eleitoral): dados de quem está inscrito em cada urna, sem estimativa geográfica. *Renda: rendimento médio dos responsáveis pelos domicílios (Censo 2022) nos setores de onde vêm os eleitores de cada local; esta linha é uma estimativa geográfica.

O voto da favela é só escolaridade ou renda?

Mapa

Favela por favela

Estimativa para cada favela: os moradores são distribuídos entre os locais de votação próximos que têm vaga, e o resultado da favela é a média desses locais, ponderada pelo número de moradores que cada um recebe. Como esses locais também recebem eleitores de fora da favela, o resultado tende a se aproximar do voto do entorno; a confiança indica o quanto os moradores votam em locais onde a maioria dos eleitores mora em favela (veja como calculamos). Por padrão, aparecem só as favelas de confiança média ou alta; a busca por nome encontra todas. Toque numa linha para ver os locais usados e localizar a favela no mapa. A linha abaixo do nome mostra o distrito.

Favela ou comunidade Região Eleitores (est.) PresidentePres. GovernadorGov.

O resultado muda com o critério?

Votos válidos nos locais selecionados por cada critério. Escolha o cargo e a cidade inteira ou uma região.

Os critérios "Locais ≥ X% favela" usam só os locais em que a parcela estimada de eleitores de favela atinge X%; "Locais" é quantos locais de votação entram em cada critério (um local é o prédio onde se vota, geralmente uma escola, com várias seções eleitorais, cada uma com sua urna); "Votantes" é quantas pessoas votaram nesses locais. Os critérios por distância contam o local inteiro se ele estiver a até X metros do limite de uma favela. "≥ 90%" é o recorte quase sem mistura com eleitores de fora de favela. O mais votado de cada cargo aparece em negrito.

Como calculamos

O TSE divulga quantos votos cada candidato teve em cada seção eleitoral e onde fica cada local de votação, mas não diz onde o eleitor mora. A análise, portanto, estima de onde vêm os eleitores de cada local e, a partir disso, em quais locais a maioria dos eleitores mora em favela.

1. Dados

Votos e comparecimento: votação e detalhe da votação por seção eleitoral do 1º turno de 2026, do Portal de Dados Abertos do TSE (arquivo nacional para presidente e arquivo de SP para governador, gerados em 05 e 06/10/2026). Locais: eleitorado por local de votação 2026, também do TSE, com as coordenadas de cada local e o eleitorado de cada seção. Um local de votação é o prédio onde se vota, geralmente uma escola; cada local tem várias seções, cada uma com sua urna. Na cidade de São Paulo são 2.057 locais e 26.696 seções. Como as coordenadas são do prédio, a análise soma as seções de cada local.

Favelas: as Favelas e Comunidades Urbanas delimitadas pelo IBGE no Censo 2022; a população de cada uma é a soma dos setores censitários que a compõem, no total 1.359 favelas e 1.728.235 moradores. A Prefeitura mantém um cadastro próprio de favelas, mas sem a população de cada uma; por isso a análise usa a base do IBGE, que traz a população do Censo 2022. População fora das favelas: setores censitários do IBGE (Censo 2022), com a população de cada setor por faixa etária e a renda dos responsáveis pelos domicílios; fora das favelas, são 8.061.496 moradores com 16 anos ou mais.

2. De onde vêm os eleitores de cada local

  1. Moradores de favela. Cada favela é preenchida com pontos a cada 20 m, e a população da favela com 16 anos ou mais é dividida igualmente entre esses pontos. A proporção de moradores com 16 anos ou mais de cada favela vem dos setores censitários que ficam dentro dela.
  2. Moradores de fora de favela. Cada setor censitário vira um ponto com a sua população de 16 anos ou mais; setores grandes (mais de 0,25 km²) viram uma grade de pontos a cada 250 m. Os setores que pertencem a uma favela ficam de fora desta etapa, porque seus moradores já estão nos pontos de favela.
  3. Só quem pode votar. As favelas têm mais crianças que a cidade como um todo: 74,9% dos moradores de favela têm 16 anos ou mais, contra 81,7% na cidade como um todo. Por isso a análise usa só a população de 16 anos ou mais (a faixa de 15 a 19 anos do Censo entra com quatro quintos; quando o IBGE oculta faixas de um setor pequeno por sigilo, a proporção é calculada com as faixas disponíveis). Essa população é convertida em eleitores pela razão entre o eleitorado e a população de 16 anos ou mais da cidade (0,98), de modo que o total de eleitores estimados é igual ao eleitorado real.
  4. Distribuição com capacidade. Cada local de votação comporta o seu eleitorado registrado no TSE. Cada morador vai para o local mais próximo que ainda tem vaga. Quando vários moradores disputam o mesmo local, ganha quem mora mais perto, e os que sobram passam para o próximo local com vaga. A distribuição é feita em até doze rodadas. Ninguém vai para um local a mais de 2 km: quem não encontra vaga até essa distância fica sem local na estimativa. Isso acontece onde há mais moradores do que eleitores inscritos por perto, como em bairros que cresceram e em favelas onde muitos moradores votam na cidade de origem. Ficam assim 13% dos eleitores de favela, que não entram nas estimativas. Quando o TSE transfere uma seção para um local substituto sem coordenada (uma escola em obra, por exemplo), usamos a coordenada do local original. Presídios e unidades socioeducativas não têm eleitorado próprio no cadastro e não recebem ninguém; seus votos, assim como os de qualquer local sem coordenada, entram no restante da cidade.
  5. Parcela de favela. Para cada local, a parcela de favela é o número de eleitores de favela que ele recebeu dividido pelo seu eleitorado.

3. Os números principais

O recorte principal reúne os 106 locais em que a parcela de favela é de pelo menos 50% e o perfil do cadastro do TSE é compatível com isso (442.817 eleitores). Ficam de fora os locais onde mais de 15% dos eleitores têm ensino superior completo, porque nos locais com mais eleitores de favela a mediana fica entre 2% e 4%: ali a parcela estimada é erro da distribuição geográfica, que às vezes enche de moradores de favela uma escola de bairro de classe média. 5 locais saíram do recorte por esse motivo; o mesmo filtro vale para os recortes de 75% e 90%. Cerca de 68% dos eleitores desses locais moram em favela, e esses locais recebem 24% de todos os eleitores de favela da cidade; os demais votam em locais mistos, onde não são maioria. A cidade inteira é o resultado oficial. Onde o texto compara a favela com o restante da cidade ou da região, são os demais locais de votação, fora do recorte principal. O restante não é a cidade sem as favelas: nele votam também os eleitores de favela que moram onde não são maioria. Os percentuais são de votos válidos; "votantes" soma válidos, brancos e nulos.

Na tabela de critérios, o mesmo cálculo é refeito com recortes mais estritos (locais com pelo menos 75% e 90% de eleitores de favela) e com um critério puramente geográfico: o local inteiro conta se estiver a até 50, 100 ou 200 metros do limite de uma favela. Quanto mais estrito o recorte por parcela, menor a mistura com eleitores de fora de favela, mas também menos locais na amostra. Os critérios por distância medem outra coisa: escolas na borda de uma favela muitas vezes atendem sobretudo o asfalto vizinho, e por isso esses critérios misturam bem mais eleitores de fora de favela do que os recortes por parcela.

4. Regiões

As regiões (Centro, Zona Norte, Zona Sul, Zona Leste e Zona Oeste) agrupam os 96 distritos administrativos da cidade, os mesmos do site Eleições 2026 em SP por distrito. Cada local é classificado pelo distrito em que está. Em cada região, a barra "Favelas" usa os locais do recorte principal e a barra "Restante", os demais locais da região. Regiões com menos de 10 locais no recorte principal são marcadas como amostra pequena.

5. Comparecimento

Abstenção, brancos e nulos vêm do detalhe da votação por seção do TSE, para presidente. A abstenção é a fração dos eleitores aptos que não votaram; brancos e nulos são frações de quem votou. Nos locais do recorte principal, a abstenção foi de 24,0%, contra 23,4% na cidade inteira. Como o cadastro eleitoral inclui pessoas que se mudaram ou morreram e ainda não foram retiradas, a abstenção medida é um pouco maior que a real em toda a cidade.

6. Resultado por favela e mapa

O resultado de cada favela é a média dos resultados dos locais que receberam seus moradores, ponderada pelo número de moradores que cada local recebeu. A base do IBGE não agrupa favelas em complexos; cada favela ou comunidade urbana aparece separadamente. Como esses locais também recebem eleitores de fora da favela, o resultado de uma favela vizinha de bairros de outro perfil tende a se aproximar do voto desses vizinhos. Por isso cada favela traz uma confiança: a parcela média de eleitores de favela nos locais onde seus moradores votam. Ela é alta (60% ou mais) quando os moradores votam em locais onde a maioria dos eleitores mora em favela, média (40% a 60%) ou baixa (menos de 40%) quando votam em locais mistos. A confiança também é baixa quando menos da metade dos moradores tem local com vaga a até 2 km: nesse caso, o resultado vale só para os que têm. Por padrão, a tabela mostra só as favelas de confiança média ou alta, e no mapa as de confiança baixa ficam em cinza. Elas não são poucas: 1.054 das 1.359 favelas, com 61% dos moradores de favela. A busca por nome encontra todas, e o resultado de qualquer favela aparece ao tocá-la no mapa; uma opção mostra as de confiança baixa na tabela e no mapa, com cor mais clara e borda tracejada. O resultado por favela serve para localizar e comparar favelas, não como medida exata do voto dos seus moradores.

7. Perfil do eleitorado, renda e validação

O TSE publica o perfil de quem está inscrito em cada seção eleitoral: escolaridade, faixa etária e sexo, entre outros. Esses dados vêm do cadastro de eleitores e não dependem de nenhuma estimativa geográfica. Cor/raça e identidade de gênero ainda vêm sem informação para cerca de 70% dos eleitores e não foram usadas. A renda do entorno de cada local é a renda média dos responsáveis pelos domicílios (Censo 2022) nos setores de onde vêm seus eleitores, conforme a distribuição acima; ela é, portanto, uma estimativa geográfica. Nos locais do recorte principal, essa renda é de R$ 1.951, contra R$ 4.792 na cidade inteira.

Esses dados servem para três coisas: descrever quem vota nos locais de favela; validar a estimativa, já que, se ela estiver certa, os locais com mais eleitores de favela devem ter eleitorado de escolaridade mais baixa (a correlação entre a parcela de favela e a fração de eleitores sem ensino fundamental completo é de 0,47, em todos os locais da cidade); e comparar locais de favela e do restante da cidade com escolaridade ou renda parecida, para ver se o voto da favela é só um reflexo delas. Essa comparação usa faixas da fração de eleitores sem fundamental completo ou da renda do entorno; faixas com menos de 5 locais de favela ficam sem comparação.

8. Conferência

A soma de todas as seções da cidade foi comparada, candidato a candidato, com o total oficial do município divulgado pelo TSE: bate voto a voto (6.552.820 votos nominais para presidente e 6.129.176 para governador).

9. Limitações

É uma inferência ecológica: o voto é secreto, e o resultado de um local mistura moradores de favela e vizinhos. A distribuição supõe que cada eleitor vota perto de casa, mas muita gente vota longe, porque o título continua no endereço de quando se registrou. A estrutura etária e a renda são as do Censo de 2022, e a razão entre eleitores e população de 16 anos ou mais é a mesma em toda a cidade, embora a inscrição varie entre bairros: bairros mais velhos e ricos têm mais eleitores inscritos por adulto, e favelas têm menos, porque muitos moradores votam na cidade de origem. O limite de 2 km e o filtro de perfil existem para conter esse efeito, que sem eles levava moradores de favela a escolas distantes com vaga sobrando. As coordenadas do TSE têm imprecisões pontuais. Os limites são os do IBGE e podem não coincidir com o cadastro de favelas da Prefeitura.