Eleições 2026 · 1º turno · Cidade de São Paulo

Como votaram as favelas de São Paulo

Cruzamos o resultado de cada urna do TSE com o mapa das 1.359 favelas e comunidades urbanas da capital, delimitadas pelo IBGE no Censo 2022. Para presidente, Lula venceu com folga nos locais de votação onde a maioria dos eleitores mora em favela (aqui, locais de favela), com vantagem bem maior que no restante da cidade. Para governador, Fernando Haddad ficou à frente nos locais de favela, enquanto a cidade como um todo preferiu Tarcísio.

A votação de Lula muda pouco quando o recorte fica mais estrito: 57,9% nos locais com 75% ou mais de eleitores de favela e 58,5% nos de 90% ou mais (veja O resultado muda com o critério?).

Presidente · locais de favela
Lula à frente
Lula PT
56,5%
Flávio Bolsonaro PL
34,3%
Cidade inteiraLula 46,6% × Flávio 42,1%
Mesmas regiões, fora das favelasLula 46,0% × Flávio 42,6%

No estado: Flávio 51,9% × Lula 38,2%

Governador · locais de favela
Fernando Haddad à frente
Fernando Haddad PT
56,5%
Tarcísio REPUBLICANOS
42,5%
Cidade inteiraHaddad 46,1% × Tarcísio 52,8%
Mesmas regiões, fora das favelasHaddad 45,6% × Tarcísio 53,3%

No estado: Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS), reeleito no 1º turno

Percentuais sobre os votos válidos (sem brancos e nulos) nos 106 locais de votação em que a maioria estimada dos eleitores mora em favela (cerca de 440 mil eleitores, dos quais cerca de 300 mil moram em favela: 23,7% dos eleitores de favela da cidade); o voto é secreto e a urna não registra endereço, por isso o resultado é uma estimativa geográfica (veja como calculamos).

Depende da região #

Lula vence nos locais de favela da Zona Norte, da Zona Sul e da Zona Leste; na Zona Norte, Flávio Bolsonaro ganha no restante da região. A vantagem de Lula nos locais de favela sobre o restante da região é maior na Zona Sul e na Zona Leste. O Centro tem poucas favelas e nenhum local com maioria de eleitores de favela, por isso fica sem comparação. Na Zona Oeste, só um local tem maioria de eleitores de favela, pouco para dizer quem vence. Em cada região, a barra “Restante” reúne os demais locais de votação da região; ela inclui os eleitores de favela que votam em locais onde não são maioria.Fernando Haddad vence nos locais de favela da Zona Norte, da Zona Sul e da Zona Leste, enquanto Tarcísio vence no restante dessas regiões. A vantagem de Fernando Haddad nos locais de favela sobre o restante da região é maior na Zona Sul e na Zona Leste. O Centro tem poucas favelas e nenhum local com maioria de eleitores de favela, por isso fica sem comparação. Na Zona Oeste, só um local tem maioria de eleitores de favela, pouco para dizer quem vence. Em cada região, a barra “Restante” reúne os demais locais de votação da região; ela inclui os eleitores de favela que votam em locais onde não são maioria.

Mapa #

O mapa mostra cada favela com a cor do candidato mais votado nos locais onde seus moradores votam ou, na outra opção, cada local de votação com a cor do mais votado ali. Toque numa favela ou num local para ver o resultado.

Use dois dedos para mover o mapa.

Os mesmos dados em tabela ↓

Quem vota nos locais de favela #

Perfil do eleitorado

Cadastro de eleitores do TSE: dados de quem está inscrito em cada urna, sem estimativa geográfica. *Renda e evangélicos: estimativas do Censo 2022 para o entorno de cada local.

O voto nesses locais é só escolaridade ou renda?

Locais de favelaDemais locaisCada ponto é um local de votação; o tamanho acompanha os votos válidos

Favela por favela #

Estimativa para cada favela, a partir dos locais de votação próximos que recebem seus moradores. Como esses locais também recebem eleitores de fora da favela, o resultado tende a se aproximar do voto do entorno: serve para localizar e comparar favelas, não como medida exata do voto dos seus moradores (veja como calculamos). Por padrão, aparecem só as favelas de confiança média ou alta, cujos moradores votam sobretudo em locais de maioria de favela; a busca por nome encontra todas. Toque numa linha para ver os locais usados e localizar a favela no mapa. A linha abaixo do nome mostra o distrito.

Favela por favela: o resultado estimado para presidente e governador; os botões do cabeçalho ordenam a tabela

O resultado muda com o critério? #

Percentuais sobre os votos válidos nos locais selecionados por cada critério. Escolha o cargo e a cidade inteira ou uma região.

Os números do topo também dependem de escolhas do modelo: a distância máxima entre a moradia e o local de votação (1, 2 ou 3 km) e o corte do recorte principal (45%, 50% ou 55% de eleitores de favela no local). Nas 9 versões com essas combinações, Lula fica entre 56,2% e 56,8% nos locais de favela, e Flávio Bolsonaro, entre 34,1% e 34,6%; para governador, Fernando Haddad fica entre 56,1% e 56,7%, e Tarcísio, entre 42,2% e 42,8%. Em todas, Lula e Fernando Haddad ficam à frente (veja o método).

Os critérios “X% ou mais de eleitores de favela” usam só os locais em que a parcela estimada de eleitores de favela atinge X%; os critérios por distância contam o local inteiro se ele estiver a até X metros do limite de uma favela. “90% ou mais” é o recorte quase sem mistura com eleitores de fora de favela. “Votantes” é o comparecimento para presidente nesses locais.

Comparecimento #

Como calculamos #

O TSE divulga os votos de cada seção eleitoral e o endereço de cada local de votação, mas não onde o eleitor mora. Por isso a análise estima de onde vêm os eleitores de cada local e, com isso, em quais locais a maioria mora em favela. O que a página mostra é o voto real desses locais, e não o dos moradores de favela, que é secreto.

1. Dados

Votos e comparecimento: votação por seção eleitoral do 1º turno de 2026 (presidente, governador, senador e deputados) e o detalhe dela (comparecimento, brancos e nulos), do Portal de Dados Abertos do TSE, gerados em 5 e 6 de outubro de 2026; quem é candidato e a situação de cada um vêm da totalização do TSE de 5 de outubro de 2026. Locais: eleitorado por local de votação 2026, do TSE, com as coordenadas de cada local. Um local de votação é o prédio onde se vota, geralmente uma escola, com várias seções, cada uma com sua urna; como as coordenadas são do prédio, a análise trabalha com locais. A cidade de São Paulo tem 2.057 locais e 26.683 seções.

Favelas: as Favelas e Comunidades Urbanas delimitadas pelo IBGE no Censo 2022, com a população de cada uma somada a partir dos setores censitários (as pequenas áreas, de algumas centenas de domicílios, em que o IBGE divulga o Censo) que a compõem; ao todo, 1.359 favelas e 1.728.235 moradores. A favela do Moinho, no Centro, foi desocupada pelo governo do estado entre abril de 2025 e setembro de 2026, antes da eleição: seus 1.827 moradores do Censo 2022 ficam fora da estimativa, e o mapa a mostra como desocupada. A análise usa a base do IBGE, e não o cadastro de favelas da Prefeitura, porque só a do IBGE traz a população de cada favela; os limites das duas podem não coincidir. Fora das favelas: setores censitários do Censo 2022, com a população por faixa etária e a renda dos responsáveis pelos domicílios (8.061.496 moradores com 16 anos ou mais).

2. De onde vêm os eleitores de cada local

Para estimar, a análise espalha os moradores em pontos no mapa e manda cada ponto votar no local mais próximo que ainda tenha vaga:

  1. Moradores de favela. Cada favela é preenchida com pontos a cada 20 m, entre os quais se divide a sua população de 16 anos ou mais (a proporção de adultos vem dos setores censitários dentro da favela).
  2. Moradores de fora de favela. Cada setor censitário vira um ponto com a sua população de 16 anos ou mais; setores com mais de 0,25 km² viram uma grade de pontos a cada 250 m. Setores que pertencem a uma favela ficam de fora: seus moradores já estão nos pontos da favela.
  3. Só quem pode votar. As favelas têm mais crianças: 74,9% dos seus moradores têm 16 anos ou mais, contra 81,7% na cidade. Por isso a análise conta só quem tem 16 anos ou mais (da faixa de 15 a 19 anos do Censo entram quatro quintos; quando o IBGE oculta faixas de um setor pequeno, usam-se as disponíveis). Como há um pouco menos eleitores inscritos que pessoas de 16 anos ou mais, cada pessoa conta como 0,98 eleitor (a razão entre os dois na cidade inteira), e o total bate com o eleitorado do TSE.
  4. Distribuição com capacidade. Cada local recebe no máximo o seu eleitorado registrado no TSE. Cada morador vai para o local mais próximo com vaga; na disputa por um local, fica quem mora mais perto, e os demais seguem para o próximo com vaga. Ninguém vai a mais de 2 km: quem não acha vaga até essa distância, ou não a acha em doze rodadas, fica sem local e fora das estimativas. Isso acontece onde há mais moradores que eleitores inscritos por perto, como em bairros que cresceram e em favelas onde muitos votam na cidade de origem. Ficam nessa situação 12,6% dos eleitores de favela. Entre as regiões com mais de 5 mil eleitores de favela, a fração vai de 9% na Zona Leste a 26% na Zona Oeste. Seção transferida para um local sem coordenada (uma escola em obra, por exemplo) fica com a coordenada do local original. Presídios e unidades socioeducativas, que não têm eleitorado próprio no cadastro, e locais sem coordenada não recebem moradores; seus votos entram no restante da cidade.
  5. Parcela de favela. É o número de eleitores de favela que um local recebeu dividido pelo seu eleitorado.

3. Os números principais

O recorte principal são os 106 locais com parcela de favela de pelo menos 50% e perfil do eleitorado compatível com isso, com 442.817 eleitores inscritos, morem ou não em favela; para encurtar, a página os chama de locais de favela. O perfil vem do cadastro do TSE: um local com mais de 15% dos eleitores com ensino superior completo e menos de 20% sem fundamental completo tem perfil de bairro de classe média, e a parcela estimada ali é provavelmente erro da distribuição. Esse filtro tira 5 locais do recorte e vale também para os recortes de 75% e 90%. Para comparar: nos locais com 90% ou mais de eleitores de favela, as medianas são de 3,6% com superior completo e 26% sem fundamental completo.

Nos locais do recorte principal, cerca de 68% dos eleitores moram em favela. Dos eleitores de favela da cidade, 23,7% votam nesses locais, 62,7% em locais onde não são maioria e 1,0% nos locais tirados pelo filtro de perfil; 12,6% ficam sem local a até 2 km. O restante da cidade ou da região são os demais locais de votação. Não é a cidade sem as favelas: nele votam também os eleitores de favela que não são maioria no seu local. A cidade inteira é o resultado oficial. Para presidente e governador, os percentuais são sobre os votos válidos, os dados a um candidato, sem brancos e nulos; para senador e deputados, a base está em “Senadores e deputados”. “Votantes” é o comparecimento para presidente.

Na tabela de critérios, o cálculo é refeito com recortes mais estritos (pelo menos 75% e 90% de eleitores de favela), que misturam menos eleitores de fora mas têm menos locais, e com um critério só geográfico: o local conta se estiver a até 50, 100 ou 200 metros de uma favela. Esse critério mede outra coisa: escolas na borda de uma favela muitas vezes atendem sobretudo o bairro vizinho, e por isso ele mistura bem mais eleitores de fora. O texto do topo só diz que a votação sobe (ou cai) com a parcela quando cada recorte mais estrito fica pelo menos 2 pontos acima (ou abaixo) do anterior; senão, diz que ela muda pouco.

Os números principais dependem também de escolhas do modelo, e a página os refaz em 9 versões, todas as combinações de: a distância máxima entre a moradia e o local de votação, de 1, 2 ou 3 km (a página usa 2 km; com uma distância maior, mais moradores acham vaga, em locais mais longe, e a parcela de cada local muda); e o corte do recorte principal, de 45%, 50% ou 55% de eleitores de favela no local (a página usa 50%; o filtro de perfil vale em todas). O recorte vai de 75 a 138 locais entre as versões. Os números de cada versão estão em versoes_modelo.csv; para cada local, em quantas versões ele entra no recorte e a parcela estimada mínima e máxima entre elas, em estabilidade_locais.csv (o balão do local, no mapa, diz em quantas versões ele entra). Dos 106 locais do recorte principal, 75 entram no recorte em todas as versões; fora dele, 32 entram em pelo menos uma.

4. Regiões

As regiões (Centro, Zona Norte, Zona Sul, Zona Leste e Zona Oeste) agrupam os 96 distritos administrativos da cidade, conforme o GeoSampa, da Prefeitura de São Paulo. Cada local é classificado pelo distrito em que está. Em cada região, a barra “Favelas” usa os locais do recorte principal e a barra “Restante”, os demais locais da região; o “Restante” inclui os eleitores de favela que votam em locais onde não são maioria, e por isso não é a região sem as favelas. Regiões com menos de 10 locais no recorte são marcadas como amostra pequena: nelas, um só local pode mudar muito o resultado.

5. Comparação com 2022

O 1º turno de 2022, para presidente e governador, vem da mesma fonte do TSE (votação por seção e locais de votação de 2022). Cada local de 2022 é associado ao local de 2026 que recebeu pelo menos metade das suas seções; sem isso, ao de mesmo número de local no TSE a até 300 metros ou a um local no mesmo prédio (a até 30 metros). Como segue as seções, a associação às vezes liga um local de 2022 ao prédio para onde elas foram transferidas. Assim, 2.038 dos 2.049 locais de 2022 têm correspondente em 2026, e os do recorte principal que têm correspondente reúnem 99% do eleitorado do recorte. Os dois anos são somados nos mesmos locais de 2026 com correspondente (recorte principal, restante e regiões), e por isso o 2026 da comparação pode diferir um pouco do 2026 dos números principais; a cidade inteira é o resultado oficial de cada ano. O resultado de 2022 de cada favela usa a mesma distribuição dos moradores de 2026 e só aparece quando os locais com correspondente recebem pelo menos 80% dos moradores que têm local. A comparação supõe que o eleitorado de cada local mudou pouco em quatro anos, o que não é exato: há mudanças de endereço, eleitores novos e seções redistribuídas.

Entre 2022 e 2026, algumas seções mudaram de local de votação. Como nos sites das regiões e dos bairros do Rio e dos distritos de São Paulo, a linha dos locais de favela leva a marca ¹ quando há, entre eles, locais em que a razão entre o total de votos para presidente de 2026 e o de 2022 se afasta mais de 10% da razão da soma desses locais, para cima ou para baixo: são 16 dos 101 com correspondente. A nota da seção dá a variação sem eles.

6. Senadores e deputados

Para senador e deputados, a análise soma a votação por seção do 1º turno de 2026 nos mesmos locais do recorte principal. Os percentuais são sobre os votos válidos mais os de candidatos com o registro ainda em julgamento (sub judice), como no TSE: esses votos passam a válidos se o registro for confirmado e a nulos se for negado. Para deputado, a base inclui os votos de legenda, dados só ao número do partido; no Senado, cada eleitor votou em dois candidatos. A concentração de um candidato é a parte dos votos dele na cidade que veio desses locais, de quem vota neles, more ou não em favela: como eles reúnem cerca de 4% desses votos da cidade no Senado e 5% para deputado federal e estadual, um candidato acima disso tem, nesses locais, votação acima da média da cidade. Só contam os votos dados na cidade; senadores e deputados são eleitos com os do estado inteiro.

A tabela de deputados traz os eleitos e, entre os suplentes e os candidatos sub judice (marcados assim), os que tiveram mais votos no estado que o eleito menos votado, os que estão entre os 50 mais votados nos locais de favela e os que têm neles votação acima da média da cidade (acima da base do cargo, com 5 mil votos ou mais na cidade). A ordem por concentração também inclui só quem teve 5 mil votos ou mais na cidade. Os selos seguem a situação do TSE: “suplente” é quem não se elegeu, mas é de partido ou federação que ganhou cadeira no cargo, e fica na fila para assumir uma vaga dele; quem é de partido ou federação que não ganhou nenhuma cadeira fica sem selo (“não eleito”, para o TSE).

A concentração mostra sobretudo onde fica a base eleitoral de cada candidato. A ordem Acima do entorno vai além dela e é uma associação entre lugares: mostra onde o candidato tem mais votos que os vizinhos, não por quê. Ela compara, para cada candidato com 5 mil votos ou mais na cidade, os votos dele nos locais de favela com os esperados se esses locais votassem como os locais comuns (menos de 15% de eleitores de favela) do mesmo distrito; um local no mesmo prédio de um local de favela nunca conta como comum. Todos os distritos com locais de favela no recorte têm locais comuns suficientes para a comparação. Entram os que têm pelo menos 1,5 vez o esperado e 500 votos a mais; que continuam acima do entorno (1,2 vez ou mais) mesmo sem o distrito com mais votos além do esperado, para o resultado não depender de um lugar só; e cuja razão entre votos e esperados é igualada ou superada em menos de 5% de 2.000 sorteios em que locais comuns, escolhidos ao acaso nos mesmos distritos, fazem o papel dos locais de favela: assim, o resultado não é obra do acaso nem de pequenas diferenças entre lugares. Passam 6 dos 143 candidatos a deputado federal testados e 12 dos 167 a deputado estadual; nenhum candidato ao Senado.

Abaixo de cada candidato, quando o partido tem outros candidatos no cargo, a tabela mostra a mesma razão para o partido inteiro (candidatos e legenda): se ela também é alta, parte do resultado é do partido, e não só do candidato. Os 6 deputados federais que passam são todos do PT, que, inteiro, tem 1,5 vez o esperado. Os locais comuns da comparação ficam perto das favelas (99% do eleitorado deles está a menos de 1,5 km de uma) e recebem também alguns eleitores de favela; por isso a razão tende a ficar abaixo da diferença real.

Os cortes de “Acima do entorno” são escolhas, e outros valores mudariam a lista. Por isso a conta é refeita em 27 combinações: o local comum com menos de 10%, 15% (o da página) ou 25% de eleitores de favela; a razão mínima de 1,3, 1,5 (a da página) ou 2 vezes o esperado; e o piso de 3, 5 (o da página) ou 10 mil votos na cidade. Cada corte de local comum refaz a comparação e os 2.000 sorteios, com a mesma semente. Na lista, cada candidato traz em quantas delas passaria: nenhum dos 6 deputados federais da lista passa em todas, e o que menos passa fica em 18; 2 dos 12 deputados estaduais da lista passam em todas, e o que menos passa fica em 18. O p dos sorteios de cada candidato é (b + 1) ÷ (N + 1), em que b é o número de sorteios que igualam ou superam a razão dele e N, o número de sorteios: assim ele nunca é zero, e a lista é a mesma da conta b ÷ N. Como cada cargo testa muitos candidatos (143 a deputado federal e 167 a deputado estadual), alguns passariam do corte de 5% por acaso; com a correção para muitos testes de Benjamini–Hochberg, 18 dos 18 candidatos da lista continuam abaixo de 5% (os 6 deputados federais e os 12 deputados estaduais). O p e o q de cada testado estão em entorno_robustez.csv, com o número de combinações em que ele passa.

Na ordem Mais concentrados, o piso de 5 mil votos na cidade também é uma escolha: com 3 mil, entram candidatos menores; com 10 mil, saem os que têm de 5 a 10 mil. Entre os 10 primeiros de cada cargo de deputado, “também com 3 e 10 mil” marca quem continua entre os 10 primeiros com os dois outros pisos (“também com 3 mil” ou “também com 10 mil”, só com um deles): 5 dos 10 deputados federais e 7 dos 10 deputados estaduais continuam com os dois. As três listas estão em concentrados_robustez.csv.

7. Comparecimento

Abstenção, brancos e nulos vêm do detalhe da votação por seção, para presidente. A abstenção é a parcela dos eleitores aptos que não votou; brancos e nulos são parcelas de quem votou. Como o cadastro ainda inclui pessoas que se mudaram ou morreram, a abstenção medida é um pouco maior que a real em toda a cidade.

A tabela tem duas divisões. Na divisão Distritos, cada um dos 96 distritos da Prefeitura (limites do GeoSampa) soma as seções dos locais de votação que ficam nele, pela posição do local no mapa, e cada região soma os seus distritos. Na divisão Favelas, as unidades são os 106 locais do recorte principal, e cada região soma os seus locais; a linha “Todos os 106 locais” soma todos eles. Nas duas, a linha da cidade é o total de todas as seções, igual ao resultado oficial do TSE, e inclui as 10 seções que o cadastro do TSE marca como de presos provisórios (em presídios e unidades socioeducativas), que não ficam em nenhum distrito.

Nas faixas de renda, escolaridade ou religião, os distritos (ou os locais, na divisão Favelas) são ordenados pela medida e repartidos em cinco faixas com o mesmo número de eleitores aptos, cerca de 20% cada: a faixa se fecha na unidade em que o acumulado chega a 20%, 40%, 60% e 80% dos aptos, e uma unidade nunca se divide, por isso as faixas não ficam exatamente em 20%. O rótulo de cada faixa é o menor e o maior valor das unidades que caem nela. Unidades sem a medida ficam fora das faixas, e o texto diz quantas. A abstenção de cada faixa é a dos aptos das suas unidades somados.

Nos distritos, a renda é a média do rendimento mensal dos responsáveis pelos domicílios nos seus setores censitários (Censo 2022), sem os setores com renda sob sigilo ou sem rendimento informado nem os de renda extrema ou com erro de registro descritos em “Perfil do eleitorado, renda, religião e validação”; o código do setor no IBGE indica o distrito. A escolaridade (parcela das pessoas de 25 anos ou mais com ensino superior completo) e a religião (parcela das pessoas de 10 anos ou mais que se declararam evangélicas) vêm da amostra do Censo 2022, publicada por área de ponderação (regiões de cerca de 30 mil moradores). Cada área vai para o distrito dos seus setores; as 5 (de 332) que cruzam a divisa de dois distritos se repartem pela população de cada lado. Por virem de amostra, são estimativas. Nos locais, a renda e a religião são as do entorno, descritas no mesmo tópico, e não há escolaridade do Censo.

8. Resultado por favela e mapa

O resultado de cada favela é a média dos locais que receberam seus moradores, ponderada pelo número de moradores que cada um recebeu. A base do IBGE não agrupa favelas em complexos; cada uma aparece separada. Como esses locais também recebem eleitores de fora, o resultado de uma favela cercada de bairros de outro perfil puxa para o voto dos vizinhos. Por isso cada favela traz uma confiança: a parcela média de eleitores de favela nos locais onde seus moradores votam, com o mesmo peso de cada local. Ela é alta com 60% ou mais, média de 40% a 60% e baixa abaixo de 40%. A confiança mede quanto os locais de votação desses moradores misturam eleitores de favela e de fora, e não a precisão da estimativa: o resultado é sempre o voto desses locais, e não o dos moradores. A confiança também é baixa quando menos da metade dos moradores tem local com vaga a até 2 km; aí o resultado vale só para os que têm. A tabela mostra, de início, só as favelas de confiança média ou alta; no mapa, as de confiança baixa ficam em cinza. As de confiança baixa são a maioria: 1.059 das 1.358 favelas com moradores, com 61% dos moradores de favela. A busca encontra todas, tocar numa favela no mapa mostra o resultado dela, e uma opção mostra as de confiança baixa na tabela e no mapa. O resultado por favela serve para localizar e comparar favelas, não como medida exata do voto dos moradores.

9. Perfil do eleitorado, renda, religião e validação

O TSE publica o perfil dos inscritos em cada seção (escolaridade, idade e sexo, entre outros): é dado do cadastro, sem estimativa geográfica. Cor/raça e identidade de gênero ainda faltam para mais de 80% dos eleitores e não foram usadas. A renda do entorno de um local é a renda média dos responsáveis pelos domicílios (Censo 2022) nos setores de onde vêm seus eleitores, segundo a distribuição, e por isso é uma estimativa geográfica. Ficam de fora os 27 setores da cidade em que a renda média passa de seis vezes a mediana, porque neles uma renda declarada extrema puxa a média para cima, e o setor em que a mediana é de R$ 100, um erro de registro que puxa a média para baixo. Nos locais do recorte principal, ela é de R$ 1.941; na cidade inteira, de R$ 4.693, a média de todos os setores pela população de 16 anos ou mais, tirada direto do Censo, sem a distribuição. A religião do entorno segue o mesmo caminho: cada morador recebe a fração de evangélicos da sua área de ponderação do Censo 2022 (regiões de cerca de 30 mil moradores: a religião só é perguntada na amostra do Censo, publicada para áreas desse tamanho), e cada local fica com a média de quem vota nele. No recorte principal, 29% das pessoas de 10 anos ou mais são evangélicas, contra 23% na cidade inteira, pela mesma conta da renda. Como a área de ponderação é grande, uma favela pequena fica com a religião do bairro em volta.

Esses dados servem para três coisas: descrever quem vota nos locais de favela; validar a estimativa, porque, se ela estiver certa, locais com mais eleitores de favela têm eleitorado de escolaridade mais baixa (a correlação entre a parcela de favela e a fração sem fundamental completo, ponderada pelo eleitorado, é de 0,47 em todos os locais da cidade); e comparar locais de favela e os demais locais com escolaridade ou renda parecida, para ver se o voto da favela é só reflexo delas: o gráfico mostra cada local, e a tabela, as faixas. Em cada faixa, dois testes de acaso sorteiam 2.000 vezes quais locais da faixa contam como do recorte: um entre todos os locais da faixa, na cidade, e outro trocando os rótulos só entre locais da mesma região (cada região fica com o seu número de locais do recorte), para que uma diferença que vem só de onde os locais ficam não passe por diferença do recorte. A diferença de um candidato fica em negrito quando, nos dois testes, os sorteios chegam a ela em menos de 5% das vezes. O teste olha um lado só (a diferença a favor do candidato) e não corrige as muitas comparações: com o corte de 5%, cerca de uma célula em vinte pode ficar em negrito por acaso. Ele também trata os locais de uma região como intercambiáveis, embora locais vizinhos votem parecido, e compara uma variável por vez. A diferença mostrada na célula é a de todos os locais da faixa, das regiões juntas. No gráfico, cada ponto é um local de votação; ficam de fora os locais sem votos válidos e os sem o dado da variável. A comparação usa faixas da fração sem fundamental completo ou da renda do entorno; faixas com menos de 5 locais de favela ficam sem comparação, e dos dois lados só entram locais que passam pelo filtro de perfil. A religião fica de fora: a fração de evangélicos do entorno cai quando a renda sobe (correlação de −0,87 com o logaritmo da renda, entre os locais, ponderada pelo eleitorado), e comparar por ela repetiria a comparação por renda.

Como a tabela compara uma variável por vez, a frase abaixo dela junta tudo: é uma regressão do percentual do candidato que lidera o recorte (sobre os votos válidos de cada local) na parcela estimada de eleitores de favela, com a fração sem fundamental completo, o logaritmo da renda do entorno, a fração de evangélicos do entorno e a região, ponderada pelos votos válidos do local. O número mostrado é a diferença entre um local sem eleitores de favela e um só com eles, e o intervalo é o de 95%, com o erro-padrão agrupado por distrito, porque locais do mesmo distrito votam parecido (2.042 locais em 96 distritos, sem os de perfil incompatível com a parcela). Para presidente, só com a parcela, a diferença é de +22,2 pontos para Lula; com as outras medidas e a região, de +6,8 (de +4,6 a +9,0). Como a escolaridade e a renda também marcam quem mora em favela, a conta pode esconder parte da diferença que é da própria favela. É uma associação entre lugares: não mede o voto de pessoas nem diz a causa.

10. Conferência

A soma de todas as seções da cidade bate, candidato a candidato e voto a voto, com o total oficial do município (6.552.820 votos nominais, os dados a candidatos, para presidente e 6.129.176 para governador). Para senador e deputados, a soma por candidato também confere voto a voto com o total do município. A soma das seções de 2022 confere com o total oficial, candidato a candidato; votos de candidaturas canceladas antes da eleição contam como nulos, como no resultado oficial. O resultado de presidente no estado de São Paulo, na linha “No estado” do cartão, soma os municípios do estado na votação por município e zona do TSE (24.882.948 votos válidos) e confere, candidato a candidato, com a soma das seções do estado.

11. Limitações

É uma inferência ecológica, feita a partir de lugares, e não de pessoas: o voto é secreto, e o resultado de um local mistura moradores de favela e vizinhos. A distribuição supõe que cada eleitor vota perto de casa, mas muita gente vota longe, porque não transferiu o título ao mudar de endereço. Idade, renda e religião são as do Censo de 2022, e a razão entre eleitores e população de 16 anos ou mais é a mesma em toda a cidade, embora a inscrição varie: bairros mais velhos e ricos têm mais inscritos por adulto, e favelas, menos, porque muitos moradores votam na cidade de origem. Por isso ninguém é levado a mais de 2 km, e o filtro de perfil tira do recorte as escolas de classe média que ainda assim recebem muitos moradores de favela. Todos com 16 anos ou mais contam igualmente, embora só cerca de 15% dos jovens de 16 e 17 anos estejam inscritos; como as favelas têm mais jovens, isso superestima um pouco os eleitores de favela. As coordenadas do TSE têm imprecisões pontuais.